Publicações em um grupo de moradores de Itaipuaçu no Facebook reacenderam o debate sobre segurança pública e o aumento da população em situação de rua em Maricá. Relatos de furtos, presença de usuários de drogas e críticas às políticas públicas dominaram os comentários de uma postagem que rapidamente ganhou repercussão entre moradores do distrito.
O estopim da discussão foi o relato de um morador da Rua 44, em Itaipuaçu, que afirmou ter tido o fio de aterramento do relógio de energia furtado durante a madrugada. Na publicação, ele atribui o crime a pessoas em situação de rua e afirma que, em mais de três décadas morando no bairro, nunca havia passado por situação semelhante.
A postagem gerou dezenas de comentários, muitos deles demonstrando preocupação com a segurança na região.
Entre os relatos, moradores afirmam que a situação teria se agravado nos últimos meses. Um dos participantes escreveu que frequenta Itaipuaçu há mais de 20 anos e que nunca havia visto um cenário semelhante, enquanto outro comentou que “a polícia não faz nada” e defendeu mudanças na legislação para lidar com usuários de drogas e pessoas em situação de rua.
Também houve manifestações relacionando os furtos à compra de materiais metálicos por ferros-velhos. Uma moradora afirmou ter visto, durante a noite, um estabelecimento de reciclagem funcionando com diversas pessoas que descreveu como usuários de drogas em frente ao local, questionando a fiscalização sobre esse tipo de comércio.
Outros comentários demonstram indignação com a sensação de insegurança. Um morador chegou a afirmar que as pessoas estariam vivendo “reféns” da criminalidade e criticou o que considera falta de resposta do poder público.
Embora diversos comentários associem furtos à população em situação de rua, não há, até o momento, qualquer informação oficial que comprove que os crimes mencionados tenham sido praticados por pessoas nessa condição. As manifestações representam percepções e opiniões dos participantes da discussão no grupo.
Prefeitura afirma ter ampliado ações de abordagem social
Enquanto moradores relatam aumento da sensação de insegurança, a Prefeitura de Maricá afirma ter intensificado as ações voltadas ao atendimento da população em situação de vulnerabilidade.
Segundo o município, uma força-tarefa formada pela Secretaria de Assistência Social e Cidadania, Guarda Municipal, Somar e Secretaria de Meio Ambiente realiza abordagens em diferentes pontos da cidade para identificar pessoas em situação de rua e oferecer acolhimento.
Ainda de acordo com a administração municipal, somente em 2026 mais de 50 pessoas foram reinseridas em seus núcleos familiares ou encaminhadas para acompanhamento pela rede socioassistencial, com acesso a acolhimento, alimentação, higiene, qualificação profissional e encaminhamento para oportunidades de trabalho. O atendimento é realizado pelo Serviço Especializado de Abordagem Social (Seas), que funciona 24 horas por dia.
Em balanço divulgado anteriormente, a prefeitura informou que, ao longo de 2025, 165 pessoas foram acolhidas, reintegradas às famílias ou encaminhadas para abrigos e municípios de origem, apontando redução da população em situação de rua no município.
Debate cresce nas redes sociais
A discussão evidencia um tema que vem mobilizando moradores de diferentes bairros de Maricá: de um lado, a preocupação com furtos, uso de drogas e ocupação de espaços públicos; de outro, o desafio de conciliar políticas de assistência social com ações de segurança pública.
Nos comentários, a maior parte dos participantes cobra maior presença policial, fiscalização de estabelecimentos que comercializam sucata e medidas mais efetivas para reduzir a criminalidade. Ao mesmo tempo, especialistas em assistência social costumam destacar que a população em situação de rua é heterogênea e que a condição de vulnerabilidade, por si só, não caracteriza envolvimento com crimes.
O tema segue gerando debates entre moradores e deverá continuar no centro das discussões sobre segurança e assistência social no município.


