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Itaipuaçu terá emissário submarino e investimento de quase R$ 467 milhões

Obra no Jardim Atlântico Central terá investimento de quase R$ 467 milhões e será conectada a um emissário terrestre e submarino

Itaipuaçu deverá receber uma das maiores obras de saneamento básico já planejadas para a região. A futura Estação de Tratamento de Esgoto de Itaipuaçu será construída no Jardim Atlântico Central e terá capacidade para receber o esgoto coletado em diferentes bairros do quarto distrito de Maricá.

O projeto inclui a construção da estação, sistemas de bombeamento, uma câmara de carga e um conjunto de emissários terrestre e submarino. O contrato firmado pela Companhia de Saneamento de Maricá, a Sanemar, possui valor de R$ 466.983.293,72.

A obra é considerada estratégica principalmente por causa do crescimento acelerado de Itaipuaçu, onde grande parte dos imóveis ainda depende de fossas, filtros e sumidouros.

ETE poderá tratar mais de 51 milhões de litros de esgoto por dia

O projeto básico divulgado em documentos oficiais aponta que a nova ETE terá capacidade de tratamento de até 600 litros de esgoto por segundo.

Isso representa aproximadamente 51,8 milhões de litros tratados por dia, caso a estação opere continuamente em sua capacidade máxima.

Outro relatório da própria Sanemar, porém, cita uma capacidade de 900 litros por segundo, equivalente a cerca de 77,7 milhões de litros por dia.

A diferença pode estar relacionada a mudanças realizadas durante o desenvolvimento do projeto ou a uma possibilidade de expansão futura. Até o momento, no entanto, não foi localizado um esclarecimento público detalhando qual será a capacidade definitiva da estação.

Como o documento mais específico relacionado ao projeto básico apresenta a vazão de 600 litros por segundo, esse é o número mais seguro disponível atualmente.

Estação será construída no Jardim Atlântico Central

A grande ETE será implantada no Jardim Atlântico Central, em uma área que anteriormente recebeu uma base operacional da Sanemar.

A localização foi escolhida para facilitar a chegada do esgoto recolhido por redes instaladas ou planejadas em diferentes áreas de Itaipuaçu.

Entre os bairros que aparecem relacionados ao sistema estão:

Jardim Atlântico Central, Jardim Atlântico Oeste, Jardim Atlântico Leste, Recanto de Itaipuaçu, Praia de Itaipuaçu, Itaocaia Valley e Morada das Águias.

O esgoto coletado nas residências seguirá por tubulações instaladas sob as ruas até coletores maiores. Nos pontos em que o terreno não permite o deslocamento natural, estações elevatórias serão utilizadas para bombear o material até a ETE.

Como funcionará o tratamento?

A futura estrutura é descrita nos documentos como uma estação de tratamento primário.

Nesse processo, o esgoto recebido passa por etapas destinadas à retirada de materiais sólidos, areia, gordura e parte da matéria orgânica.

Depois de tratado, o efluente deverá ser encaminhado para uma câmara de carga e, em seguida, transportado pelo sistema de emissários até um ponto de lançamento no mar.

É importante destacar que não se trata do lançamento direto do esgoto recolhido nas casas. Antes de chegar ao emissário, o material deverá passar pela estação e atender aos parâmetros estabelecidos pelo licenciamento ambiental.

A eficiência do sistema dependerá da qualidade do tratamento, do funcionamento permanente da ETE e do acompanhamento da água do mar após o início da operação.

Emissário terá trecho em terra e dentro do mar

O planejamento da Sanemar indica que o conjunto formado pelo emissário terrestre e pelo emissário submarino terá aproximadamente 4,9 quilômetros de extensão.

O trecho terrestre deverá levar o efluente tratado da estação até a faixa costeira. A partir desse ponto, a tubulação seguirá pelo ambiente marinho até uma área afastada da praia, onde ocorrerá o lançamento controlado.

Normalmente, a extremidade desse tipo de tubulação possui um sistema de difusores. Essas saídas ajudam a distribuir o efluente em diferentes pontos, favorecendo a dispersão na água.

No caso de Itaipuaçu, entretanto, ainda não foram divulgadas de forma clara informações como:

  • a extensão exata do trecho submarino;
  • o ponto da praia por onde passará a tubulação;
  • a profundidade do lançamento;
  • o diâmetro do emissário;
  • o tipo de difusor utilizado;
  • e as coordenadas do ponto final no mar.

A divulgação desses dados será importante principalmente para moradores, pescadores, frequentadores da praia e entidades ambientais.

Obra será ligada às redes em implantação

A nova ETE faz parte de um sistema maior de saneamento que depende da construção de redes de coleta em diferentes bairros.

Somente o projeto relacionado ao Jardim Atlântico Central e ao Jardim Atlântico Oeste prevê aproximadamente 115 quilômetros de redes.

No Jardim Atlântico Leste, foi anunciada a implantação de cerca de 103 quilômetros de infraestrutura de esgotamento sanitário. Desde o lançamento da obra, a Prefeitura informou que essa rede seria ligada à futura ETE do Jardim Atlântico Central.

O sistema do Recanto de Itaipuaçu também deverá encaminhar o esgoto para a estação principal em uma etapa posterior.

Isso significa que a ETE será o destino final do esgoto recolhido em uma extensa área de Itaipuaçu. Sem a conclusão dessas redes e sem a ligação dos imóveis, no entanto, a estação não conseguirá alcançar todo o seu potencial.

ETE principal é diferente das unidades compactas

O Jardim Atlântico Central já possui uma pequena estação de tratamento instalada na Rua 47. A unidade foi construída para atender pouco mais de 500 moradores e possui capacidade de aproximadamente 2 litros por segundo.

Outra estação compacta funciona no Centro de Educação Profissional e Tecnológica de Itaipuaçu, o CEPT, atendendo o próprio complexo.

Essas estruturas possuem atendimento localizado e não devem ser confundidas com a nova ETE de grande porte.

Enquanto a estação da Rua 47 trata cerca de 2 litros por segundo, a futura ETE principal poderá chegar a 600 litros por segundo. A capacidade prevista, portanto, será aproximadamente 300 vezes maior.

Contrato prevê prazo de 27 meses

A licitação da obra foi homologada em janeiro de 2026. O contrato foi assinado em 29 de abril de 2026 com o Consórcio Saneando Maricá.

O grupo é formado pelas empresas DP Barros Pavimentação e Construção, AWK Rio, Dellut Engenharia e Tecnologia, Construtora Zadar e Construtora Etama.

O contrato possui vigência de 30 meses e estabelece prazo de 27 meses para a execução, contado a partir da emissão da ordem oficial de início.

Como a contratação foi realizada no modelo semi-integrado, o consórcio também será responsável pela elaboração do projeto executivo, que deverá definir diversos detalhes técnicos da obra.

Por esse motivo, o prazo exato de entrega depende da data oficial de início e do andamento do projeto executivo.

Por que a obra é importante para Itaipuaçu?

Itaipuaçu passou por um intenso processo de ocupação e crescimento populacional. Muitos bairros foram formados antes da implantação de uma rede pública de esgoto capaz de acompanhar essa expansão.

Na ausência do sistema, milhares de imóveis passaram a depender de soluções individuais.

Quando fossas, filtros e sumidouros são instalados ou mantidos de forma inadequada, o esgoto pode contaminar o solo, atingir o lençol freático e chegar a canais, valas, rios, lagoas e à própria faixa costeira.

A implantação da rede pública pode ajudar a reduzir esses riscos, melhorar as condições sanitárias e diminuir a presença de esgoto em áreas abertas.

A obra também poderá contribuir para a valorização dos imóveis e para a preparação da infraestrutura de bairros que continuam recebendo novos moradores, condomínios, comércios e empreendimentos.

Emissário submarino exige fiscalização ambiental

Apesar dos benefícios esperados, a implantação de um emissário submarino precisa ser acompanhada com atenção.

O lançamento no mar deve respeitar estudos sobre correntes marítimas, direção dos ventos, profundidade, ondas, distância da costa e qualidade do efluente tratado.

Esses estudos são utilizados para definir um ponto em que a dispersão ocorra sem comprometer as áreas utilizadas para banho, a pesca e os ecossistemas marinhos.

Depois que o sistema entrar em funcionamento, também será necessário realizar o monitoramento periódico da qualidade da água, dos sedimentos e, dependendo das exigências ambientais, da vida marinha.

A população deve ter acesso aos resultados dessas análises para acompanhar se o tratamento e o lançamento estão ocorrendo dentro das regras.

Projeto ainda possui informações que precisam ser divulgadas

O contrato de quase R$ 467 milhões confirma o avanço do projeto, mas ainda existem informações importantes que não foram apresentadas de forma acessível à população.

Entre elas estão a capacidade final da estação, o projeto executivo completo, o cronograma detalhado, as licenças ambientais atuais e o traçado do emissário.

Também será necessário explicar como será tratado e destinado o lodo retirado do esgoto, como os odores serão controlados e quais medidas serão adotadas em caso de falha no sistema.

A construção da ETE poderá representar uma mudança histórica para Itaipuaçu. Para isso, será preciso garantir que a estação, as redes, as elevatórias e o emissário sejam concluídos e funcionem como um único sistema.

Além da execução da obra, a transparência e o acompanhamento ambiental serão fundamentais para que a população entenda como o projeto funcionará e quais resultados poderão ser esperados.

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